ilha..bela
Para descrever o que é o projeto ilha..bela é preciso elencar mais de uma definição: intervenção urbana, instalação, exposição, mural fotográfico, celebração da fotografia de rua. É intervenção urbana porque acontecerá num ponto geográfico peculiar da cidade que virou um marco de paisagem por força do seu conteúdo simbólico; é instalação porque sua execução envolve um fazer coletivo focado em criar uma obra visual de grande impacto no tecido urbano; é exposição construída a partir de duzentas fotografias; é mural porque essas fotografias coladas no tapume de alumínio do teatro que nunca o foi e jamais o será, vão originar a feitura duma criação muralista e é uma celebração da fotografia de rua porque seus elementos formadores foram feitos pela prática continuada de fotografia de rua com foco restrito no cotidiano de Ilhabela.
A par de construir um gigantesco quadro de caráter pictórico complexo e visualmente belo, é um projeto que estimula reflexão oportuna e consistente acerca dum fato de desenlace trágico: a existência dum teatro em ruína numa cidade riquíssima que tanto tendo, tão pouco tem tido. Isso, mais do que um exercício de reflexão, é a consolidação duma prática questionadora da cidadania objetivando extrair da história lições fundamentais para proporcionar a boa saúde da vida comunitária de Ilhabela.
ilha..bela vai além dessa ação que poderia também ser descrita e definida, como de panfletagem; ela se eterniza em página da internet, num ebook com farto material fotográfico e crítico e na difusão de conhecimento específico de fotografia graças à oficina de fotografia de rua. Ela vai acontecer na rua, na calçada do teatro de escombros e seus participantes vão aprender sobre a técnica e os objetivos da fotografia de rua. O principal deles, o mais importante e vital para a sobrevivência dessa modalidade de fotografar, é que ao praticá-la, conseguimos melhor enxergar a realidade que nos rodeia e essa clareza de visão é indispensável para nos tornarmos agentes da mudança para a construção duma sociedade justa e igualitária.
O proponente, Márcio Pannunzio, é artista plástico e fotógrafo com mais de quatro décadas de carreira. Esse período extenso de trabalho nas artes plásticas e na fotografia foi comemorado com uma exposição retrospectiva que ocupou todo o Museu de Arte e Cultura de Caraguatatuba em 2023, em projeto patrocinado pelo Programa de Ação Cultural do Governo do Estado de São Paulo. Na abertura da exposição, o curador Enock Sacramento, apresentou Pannunzio como "um fotógrafo extraordinádio".
ilha...bela vai gastar toda a sua verba na cidade de Ilhabela, gerando assim renda para firmas e trabalhadores locais. A equipe enxuta é composta por profissionais experientes e sensíveis, aptos a colaborarem ativamente na montagem da intervenção urbana e a promoverem a sua divulgação nas redes sociais e nos meios de notícia regionais.
ilha..bela afora valorizar a fotografia de rua no seu aspecto de arte visual revelando à populaçao da cidade e visitantes a riqueza e a complexidade da sua vida cotidiana, haverá de estimular um debate inadiável sobre a equivocada gestão municipal da cultura ao rememorar a triste história desse prédio arrebentado de um equipamento cultural que, vivo e operante, enorme benefício teria proporcionado ao município. Em oposição ao outro extremo da praia, ocupado pela estatuária alugada pela prefeitura a serviço da difusão duma religiosidade mistificada, ilha...bela se prestará a lhe contrapor uma visão da existência humana poética e mundana capaz de trazer luz, vida e beleza a um cenário de destruição e abandono.






























